Nome:
Joe Ribeiro
Cidade:
Hamilton
Titulo:
A Genealogia do amor
E assim se fez verbo o dom da palavra para repartir-se porque ele era só Da vértebra curva veio para ouvir aquela que se houve para ser ouvida na aventura a dois: chamada Mulher a chamado do Homem. * Bem assim frente a frente se inauguram os sons aos olhos da surpresa. Eis a trave despida para as vestes da fala, e a cegueira da boca signos, tateando, cospe, palpando seus rochedos de alfabeto de pedra E viu para falar ouviu para dizer tanta beleza agora se vai a solidão na maciez da pele na relva dos cabelos na fenda diferente. Ele a chamou mulher e sentiu o seu cheiro e por que era de espanto foi deitar-se com ela no verde da campina descobrindo seus poros com o tato da língua numa conversa muda mas cheia de arrepios reinventando colinas na planície da pele. E a palavra de pedra em pedra se afirmava no palco dos rochedos banhado pelas águas esculpindo nas ondas o sino das sereias do mar de Adamastor o mastro do primeiro este anagrama ereto encrespando banzeiros. No lastro das carícias pesa o rumor dos corpos com seu barulho de água no suor represado. E a vida nesse instante não era a mesma vida: um tempero de febre ardia na mudança E a mulher que era voz ainda adormecida balbuciou nomeando esse homem fricativo: - Amado meu amado Então ele se soube de pedra amolecida mas senhor da tarefa. E olhou-a como nunca olhara em sua volta: a íris revelando o seu contentamento no semblante de calma na viva descoberta do fogo prometido. E desde aquele dia baniu a solidão para o deserto da alma o reservado limbo do batismo da dor. Havia agora como repartir as centelhas no revirar dos olhos. A granulada areia moldando-se em faísca nas águas de klepsydra nos pingentes de Thánatos.